Quem vive atento às mudanças de comportamento no cenário festivo baiano, por certo já percebeu que ele vem mudando e já é motivo de análise de sociólogos de plantão.
No Carnaval de 2005, o sociólogo Roberto Albergaria, então comentarista de comportamento da TV Educativa, ao ser chamado a analisar a participação de evangélicos do Bloco Sal da Terra, não usou de meias palavras para garantir que em 10 anos, ou um pouco mais, o Carnaval de rua de Salvador teria uma nova feição, sendo dominado por evangélicos, considerando-os ousados, criativos e com objetividade.
Ninguém da mídia que ouviu o sociólogo dizer isso, repercutiu. Talvez não levasse a sério, achando que se tratava de um delírio. Falha no sensor jornalístico, preconceito, coisas que não combinam com o bom exercício da profissão midiática.
Enquanto isso, um movimento diferente do tradicional cresce em templos evangélicos de diversas denominações. Há um outro olhar evangelístico sobre eventos de massa.
Rompeu-se o véu do preconceito e muitos têm tomado a decisão de entrar de corpo e alma na maior festa popular do planeta. As festas juninas também estão no calendário dos evangélicos.
O quê? Indagarão os desavisados e contrários. Mas, para o cristão clarividente, teologizado, comprometido, pastores mais jovens, isso não é nenhuma heresia.
Sem receio, esses novos líderes afirmam que o primeiro missionário destinado por Deus, Jesus Cristo de Nazaré, era um festeiro, não perdia um evento popular de seu povo judeu, para levar sua mensagem de alegria e salvação.
E não foi a toa que o austríaco Jhoannes Sebastian Bach construiu um dos mais belos clássicos da música do período renascentista, “Jesus a Alegria dos Homens”. Ele só ficava triste por causa do sofrimento do povo oprimido. E por ele morreu de forma tão cruel.
A bordo de bloco sem cordão, totalmente caracterizado como uma entidade carnavalesca, o Bloco Sal da Terra, da Igreja Batista Missionária da Independência, pioneiro na modalidade do gênero, evangeliza no circuito Pelourinho–Sé, de sexta a terça-feira de Carnaval, desfilando em seu repertório cânticos gospels animados,no ritmo afrobaiano, do reggae ao samba (…).
Este ano, o bloco se juntou a outros movimentos evangélicos no Carnaval (Igreja Batista do Garcia/ Igreja Batista de Itapagipe e Jovens Com Uma Missão – Jocum). Altivos e alegres pisaram o asfalto do circuito Barra Ondina, fazendo trajeto inverso, puxado por um pequeno mais possante carro de som, capitaneado pelos pastores Elson, do Garcia, Laurito, de Itapagipe, Elias da Jocum, dentre outras lideranças do movimento.
Nesse lugar, promoveram um espetáculo inesquecível, que fez chorar muita gente, impactada com o que ouviram do pastor Elson, um relato triste e veemente dos indicadores sociais da cidade do Salvador, mascarada no Carnaval.
Em seguida, todos ajoelhados no asfalto, clamaram a Deus, em oração fervorosa, sabedoria aos governantes, especialmente ao prefeito João Henrique, que enfrenta o desafio de administrar uma cidade como Salvador, com alto grau de religiosidade e fé, mas que não consegue superar suas profundas desigualdades.
Pediu-se também na oração, providência contra as mazelas advindas do sistema econômico e sua má distribuição de renda, todas as formas de exclusão, violência e racismo, e contra o que chamou de potestades do mal incrustado no poder, ou seja, ganância e corrupção, desejando não só para a Bahia, como para todo o país, uma sociedade justa, como Cristo apregoou.
Por fim, uma ceia com pão e vinho foi servida ao ar livre, intrigando traseuntes e expectadores, num ato comovente, de um pacto com Jesus.
BLOG DA LADY EVA
19-02-2007
http://www.portalriovermelho.com.br/noticias.php?cod=109